Canto da Selva, por Palmério Dória

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O coral da Escola Waldorf Rudolf Steiner

Há 50 anos, tive a ventura de participar do primeiro encontro com a primeira tribo na rota da Transamazônica, os paracanãs, na área do Tocantins, Pará, onde hoje se ergue a hidrelétrica de Tucuruí.

Hoje, nesta manhã esfuziante de domingo, tive a ventura de encontrá-los outra vez, de certa forma, no concerto emocionante do Coral de estudantes de Ensino Médio, muito bem intitulado Raízes -- um repertório primoroso que nos lança numa pesquisa redonda à África e aos nossos últimos guerreiros em várias escalas --, no palco do Jardim de Soraya do Instituto Premier, Vila Cordeiro, São Paulo.

Confesso que a interpretação de Ararunaé, o voo da arara azul. resgatado pelos mestres da Escola Woldorf Rudolf Steiner, mexeu com minhas selvas interiores. Primeiro pelo canto em si. Depois pelas últimas da tribo.

Imaginava-a à beira da extinção.Soube que somam 2 mil viventes, resistindo à pressão do chamado nundo civilizado. O túnel do tempo levou-me a cenas imorredouras do encontro.

Em meio à euforia, com os indígenas levando para o interior da mata tudo o que havia em nosso acampamento, o chefe deles voltou sozinho com um jabuti nas mãos.

Queria trocá-lo pela bela antropóloga Jacqueline Ruff, filha do gerente-geral a gigante americana US Steel. então explorando a Serra dos Carajás, que emprestou o helicóptero para chegarmos lá.

O sertanista João Carvalho, parceiro de Darcy Ribeiro em muitas expedições, foi destacado para explicar-lhe a impossibilidade da troca.

Havia uma certa tensão no ar. Mas, por fim, João Carvalho convenceu-o a aceitar o único facão que restava. O chefe aceitou contrafeito. Aceitou mas não retribuiu com o jabuti.Contemplou Jacqueline por um momento. E voltou para a mata. Pacificado

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