Em solidariedade ao Clube do Choro de São Paulo, Premier oferece seu espaço para acolher os músicos e as Rodas de Choro

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Da esquerda para a direita: os músicos Giba Donato e Juarez Travassos, o jornalista Sérgio Gomes, o músico Toninho Carrasqueira, os diretores do Clube do Choro Yves Finzetto e Deni Domênico, o músico e professor Emiliano de Castro, Samir Salman, superintendente do Premier, Dr. David Braga Jr e Oswaldo Colibri.
(Foto: Ruam Oliveira / OBORÉ / Hospital Premier)

 

Na terça, 25 de abril, membros do corpo de funcionários do Premier promoveram reunião com os atuais diretores do Clube do Choro de São Paulo, Yves Finzetto e Deni Domênico, para debater estratégias de apoio às atividades e aos integrantes do Clube, após este ter sua verba suspensa pela prefeitura no mês passado. O motivo da reunião foi pensar em meios para que o Clube mantenha algumas de suas atividades, como a Roda de Choro, que poderão acontecer nas dependências do Hospital e no futuro Centro Cultural do Premier, ainda em contrução.

O Clube do Choro de São Paulo, fundado em 1976 por artistas, intelectuais, músicos,  jornalistas e simpatizantes, ocupava atualmente o espaço do Teatro Arthur Azevedo, na Mooca, zona leste da capital, mas foram expulsos no início de abril pela Prefeitura. A atual gestão Dória contingenciou o orçamento da pasta de Cultura e, dos 0,8℅ destinados a ela, o Clube do Choro deixou de receber o equivalente a 0,1℅ deste orçamento, perdendo o direito de usar o Teatro como sede.

O superintendente do Premier, Dr. Samir Salman, acompanhado do médico Dr. David Braga Jr, do jornalista e assessor da superintendência Sergio Gomes, e os músicos Emiliano Castro, Toninho Carrasqueira, Giba Donato e Juarez Travassos, discutiram sobre as diferentes possibilidades de desenvolver ali as atividades ligadas ao gênero do Choro, como promoção, divulgação e resgate deste estilo musical.

Deni Domênico destacou a importância dada ao Choro em outros países, apontando que lugares como Holanda, Paris e Japão, por exemplo, valorizam e tentam reproduzir o estilo.. “Nós temos energia para mostrar o quanto o Clube do Choro é importante. É muito mais que entretenimento”, comenta o chorão.  

O Choro é originário do século XIX, tem mais de 150 anos de história e atravessa várias gerações não só de músicos como também de intelectuais e amantes do gênero. O flautista e professor de música da Universidade de São Paulo (USP), Toninho Carrasqueira,  apontou que esta reunião foi importante para integrar diferentes gerações, demarcando no gênero musical uma característica inclusiva e agregadora. “São figuras lindas [as que estão nesta reunião], todos guerreiros amorosos em relação aos seres humanos, que percebem a importância do Choro enquanto uma música que traduz o brasileiro, uma das essências do povo brasileiro”.

Para Carrasqueira, a nossa cultura está sendo “pisoteada”. “De repente nós vemos que está havendo uma agressão ao Brasil em vários níveis, e a cultura no Brasil está sendo pisoteada, quer dizer, o povo brasileiro está sendo pisoteado e de uma forma evidente. Parece que existe um propósito de acabar com essa cultura, num projeto de dominação mesmo, dominação cultural e econômica, para mim é isso o que está acontecendo”, disse.

“Acho que foi uma tarde memorável, de fato, poder encontrar com o Colibri, o Sergio Gomes, e o pessoal do Hospital Premier na disposição de fazer essa amarração entre as diferentes gerações, dar sentido e tocar um projeto comum”, apontou Yves Finzetto.

Importante lembrar que os jornalistas Oswaldo Luiz Colibri Vitta e Sergio Gomes foram os principais responsáveis pela articulação do movimento pela criação do Clube do Choro, nos anos de 1970, em São Paulo, juntamente com pesquisadores, artistas, jornalistas, médicos, arquitetos, músicos e amantes da boa música de raiz brasileira. Parte dessa bonita história pode ser resgatada na pesquisa O CLUBE DO CHORO DE SÃO PAULO: ARQUIVO E MEMÓRIA DA MÚSICA POPULAR NA DÉCADA DE 1970, de autoria de Miranda Bartira Tagliari Rodrigues Nunes de Sousa (Unesp, 2009).

 

Texto: Ruam Oliveira
Edição: Ana Luisa Zaniboni Gomes

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