A flauta mágica de Toninho Carrasqueira

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Semanalmente, Toninho Carrasqueira passeia pelos corredores do Premier tocando sua flauta. A música "Carinhoso" de Pixinguinha está entre as mais pedidas pelos pacientes.
Foto: Ruam Oliveira/OBORÉ

 

“Tocar é contar histórias”, diz Toninho Carrasqueira. Flautista de renome internacional, filho de uma família de músicos, ele é professor do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Nos últimos seis meses, consta de sua rotina semanal passear com sua flauta pelos corredores do Hospital Premier. Entra nos quartos, cumprimenta os pacientes, toca belas canções e emociona a todos. “Geralmente vou passeando pelos corredores, olhando os quartos, converso um pouquinho, toco uma música, falo de autores… Acho que todo mundo precisa de carinho e atenção. Quando a pessoa está num hospital, ela se sente muito solitária”, comenta o músico.

Carrasqueira participou do curso Música nos Hospitais, promovido anualmente pelo Premier, e nunca mais deixou de frequentar o espaço. “Aqui aprendi muito sobre o cuidado com o outro e principalmente sobre a importância da biografia, de tentar entender o universo das pessoas”. Ele começou esta prática quando seu pai ficou hospitalizado e ia tocar durante o período de internação. “Eu tocava no quarto do meu pai e me pediam para que fosse tocar em outros quartos, foi então que percebi o quanto isto era lúdico e fazia bem para as pessoas”. Atualmente, sua esposa está internada no Premier e então ele aproveita os dias de visitas para levar música aos pacientes, o que considera um “trabalho de alma” já que é uma prática terapêutica também para os que tocam algum instrumento.

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Circulando entre os andares do Premier, o músico toca clássicos dos anos 1980 e faz os pacientes relembrarem suas infâncias e momentos importantes de suas vidas. Ele e sua flauta fazem bem aos ouvidos de todos.
Foto: Ruam Oliveira/OBORÉ

 

Para Toninho Carrasqueira, tocar é sempre um desafio muito rico, independentemente do local. “Para passar serenidade para alguém é preciso ser sereno e ter uma boa técnica instrumental. Se estiver nervoso, acaba atrapalhando e transmitindo um sentimento que não deve”. Entre as canções mais pedidas pelos pacientes está ‘Carinhoso’, de Pixinguinha, que faz parte do repertório musical de grande parte das pessoas, principalmente idosos. O flautista enfatiza o poder de empatia que a música tem na vida das pessoas. “Quando nos colocamos à disposição do outro, de alguma forma conseguimos nos conectar. Tocar em hospitais me faz muito bem. Tive a percepção de que quando estamos cuidando de alguém, no fundo, essa pessoa também está cuidando de nós”.

 

 

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Texto: Ruam Oliveira
Edição: Ana Luisa Zaniboni Gomes

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