O dia que Fernando gargalhou

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O jornalista Fernando Pacheco Jordão na cerimônia do 31º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Foto: Instituto Vladimir Herzog

Na noite do dia 31 de outubro, terça-feira, o jornalista Fernando Pacheco Jordão foi homenageado por colegas e amigos durante a cerimônia de entrega do 39º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em São Paulo.  Pacheco Jordão faleceu em setembro deste ano deixando esposa, filhos, netos e muitos amigos e companheiros.

Coube a Juca Kfouri, jornalista e mestre de cerimônias do evento, iniciar as homenagens a Jordão, de quem era amigo de muitos anos. Visivelmente emocionado, Kfouri usou uma carta escrita pelo médico André Comune, do Hospital Premier, endereçada a ele após o falecimento de Jordão. Comune acompanhou Fernando durante o ciclo final de sua vida e adotou técnicas dos cuidados  paliativos para o bem estar do paciente e de seus familiares.     

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O médico André Comune (à direita) ao lado do artista plástico Elfas Andreato. Foto: Adyr Akira / Hopital Premier

A carta continha a descrição de um raro momento em que Fernando Pacheco Jordão gargalhou. Nos poucos meses que passou na instituição, o médico conta que Jordão sempre foi muito educado, mas que sorria pouco.

“Eu recebi um email da Fátima e da Beatriz [esposa e filha de Jordão] sobre uma homenagem ao Sr. Fernando que iria ocorrer no Tucarena e não esperava que ele fosse ler a minha carta”, disse o médico. Das boas lembranças que guarda do tempo que cuidou de Fernando, Dr André Comune  destaca o dia em que o paciente provou um prato de Homus – comida típica da cultura árabe feito com grão-de-bico, um dos alimentos preferidos de Jordão. “Ele não podia comer tudo o que queria porque os alimentos tinham que ser pastosos. Poder preparar isso para ele foi muito especial”, conta Comune.

Conheça a carta lida por Kfouri durante a homenagem  

 

São Paulo, 14 de Setembro de 2017

Caro Juca

Sou André, médico que cuidou do Sr Fernando Pacheco nos últimos meses da sua vida. Soube que esteve aqui no Hospital Premier ontem, mas infelizmente não consegui encontrá-lo. Soube pelos membros da equipe que você estava muito abatido e triste pela despedida de um grande amigo. Estou enviando uma carta para falar de uma passagem com Sr Fernando durante a internação e espero que isso possa trazer um pouco de conforto. Falávamos muito de você, já que com frequência, a cuidadora Zezé trazia suas mensagens de apoio e carinho.

Considero essa passagem importante pois foi o dia que Sr Fernando mais sorriu durante toda internação. Apesar do seu nobre amigo, São Paulino assim como eu, não se interessar muito por futebol, esse sorriso ficou marcado em minha memória.

Segue a breve passagem:

- “Sr Fernando, gosto muito do Juca, mas como torcedor do Corinthians, ele é muito chato.”

Fernando caiu na gargalhada, algo raro até aquele momento e emendou:

- “Concordo”, voltando a sorrir novamente.

 Um grande abraço e meus sinceros sentimentos pela despedida de um amigo tão querido, educado e com uma história de vida fantástica.

 

André Comune

 

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O jornalista Juca Kfouri durante cerimônia de entrega dos troféus do 39º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Foto: Alice Vergueiro

“Eu vou lembrar do Jordão que fazia tostadas francesas para os meus filhos lá em Ubatuba. E que mais de trinta e cinco anos depois, é desse Jordão que eles lembram.  Do doce Fernando Pacheco Jordão”, finalizou Kfouri, que antes de ler o texto pediu um minuto de silêncio em homenagem ao amigo, passando, em seguida, a exibir um vídeo com depoimentos sobre o jornalista que, ao longo de sua vida, construiu respeitada carreira no jornalismo e integrou equipe de veículos de comunicação como O Estado de S. Paulo, BBC de Londres e TV Globo.

Saiba mais sobre Fernando Pacheco Jordão

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